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O que acontece no mikveh durante a conversão?

Foto do escritor: Orthodox Conversion
Orthodox Conversion
23 de ago.
6 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

A imersão no mikveh, a tevilá, é o último passo da conversão ortodoxa e o momento exato em que o estatuto pessoal muda. Antes de entrar na água a pessoa é candidata. Ao sair, é judia segundo a halachá.

É por isso que esse dia concentra o maior número de perguntas e de ansiedade. As pessoas querem saber como é o mikveh, quem está presente, como fica a questão do recato, o que se diz em voz alta e o que fazer se der um branco.

Abaixo, o dia inteiro passo a passo: preparo na véspera, sessão do tribunal, verificação antes da imersão, a imersão em si, as bênçãos e o que acontece logo depois.

O que é o mikveh

O mikveh é um tanque construído segundo regras específicas e cheio de água que atende às exigências da lei judaica. Ele não serve para lavar: a pessoa entra nele já limpa. Serve para mudar de estatuto.

Por que uma banheira ou uma piscina não servem

A água do mikveh precisa ter origem natural e chegar ao reservatório de determinada maneira, sem ser transportada em recipientes. O volume e a construção são regulamentados. Por isso nem banheira nem piscina substituem um mikveh casher, ainda que um corpo de água natural possa, em certas condições, ser usado.

Como é o mikveh por dentro

Um mikveh moderno costuma parecer uma pequena piscina com alguns degraus, revestida de azulejo, com salas de preparo separadas onde há chuveiro, espelho e tudo o que é necessário. Os ambientes são desenhados para garantir privacidade completa.

A profundidade em geral permite ficar de pé, e a água é aquecida. A imersão dura alguns segundos.

Quando a tevilá é marcada

A imersão só é marcada depois de o Beit Din ter dado decisão favorável. Muitas vezes a sessão e a imersão acontecem no mesmo dia, às vezes com alguns dias de intervalo.

Para os homens, entre o brit milá ou a hatafat dam brit e a imersão precisa passar o tempo necessário para a cicatrização. Esse intervalo é definido pelo mohel junto com o rabino.

A data se marca com antecedência, porque o mikveh funciona por agenda e os três juízes precisam estar reunidos.

O preparo na véspera

O preparo não é formalidade. Entre o corpo e a água não pode haver nenhuma barreira, o que em hebraico se chama chatsitsá.

O que precisa ser retirado

Retiram-se todas as joias, inclusive anéis, brincos e piercings, além de relógio, lentes de contato e próteses removíveis. Remove-se esmalte das unhas das mãos e dos pés, gel, alongamento, cílios postiços, curativos e ataduras, quando isso é possível do ponto de vista médico.

As unhas se cortam curtas e se limpam. O cabelo se lava e se penteia com cuidado, para não restar nós. O corpo se lava, retirando resíduos de maquiagem, cremes e desodorante.

Se a pessoa tem uma estrutura médica permanente que não pode ser retirada, como aparelho ortodôntico, implante ou marca-passo, isso se conversa com o rabino antes. Quase sempre existe solução.

O que evitar nesse dia

Não convém marcar para o dia da imersão manicure com esmaltação, bronzeamento artificial, tatuagem nova ou procedimentos estéticos intensos. Também não convém marcar a tevilá para um dia em que você estará com pressa: correria combina mal com o que acontece ali.

O que levar

Documentos, toalha e roupa para trocar, produtos de banho caso o mikveh não forneça, pente e cortador de unhas. Vale confirmar antes o que o local já oferece: em muitos lugares há tudo.

Como é o dia, passo a passo

A sessão do Beit Din

Primeiro acontece a conversa com os três juízes. Perguntam sobre a motivação, sobre o caminho até o judaísmo, sobre leis práticas e sobre a vida cotidiana: Shabat, cozinha, sinagoga, convivência.

No fim da conversa vem a kabalat mitsvot, a aceitação formal dos preceitos. Esse é o núcleo jurídico de todo o processo.

A verificação antes da imersão

Antes de entrar na água, uma pessoa acompanhante confere se o preparo foi feito: sem esmalte, sem joias, sem curativos, cabelo penteado. Para as mulheres quem faz isso é uma mulher, em geral chamada balanit.

A imersão

A pessoa desce os degraus e submerge por completo, com a cabeça, de modo que nenhuma parte do corpo e nenhum fio de cabelo fique fora da água. No momento da imersão não se fica na ponta dos pés nem se aperta os braços contra o corpo: o corpo precisa ficar solto na água.

Em geral se imerge três vezes. O número exato depende do costume do Beit Din.

As bênçãos

Depois da primeira imersão se diz a bênção da imersão e, em seguida, a bênção shehecheianu. O texto costuma ser entregue em mãos ou ditado em voz alta, de modo que não é preciso decorar.

Diferenças entre homens e mulheres

Para as mulheres

O recato é observado de forma estrita. Os juízes não ficam dentro do recinto: permanecem do lado de fora e recebem a confirmação da mulher que acompanha, de que a imersão foi feita corretamente. Em alguns lugares ouvem a bênção pela porta entreaberta.

Para os homens

Os homens passam pelo brit milá. Se a circuncisão já foi feita antes, realiza-se a hatafat dam brit, a extração simbólica de uma gota de sangue, conduzida pelo mohel. O procedimento é curto e pode ser feito com anestesia local, conforme combinado.

Na imersão os juízes podem estar presentes, a distância e com o devido decoro.

O que acontece logo depois

O certificado de conversão

O documento costuma ser entregue no mesmo dia ou nos dias seguintes. Vale conferir na hora: nome, data, composição do tribunal, carimbos. Esse documento será necessário para registro de casamento, imigração e qualquer questão de estatuto pessoal, então guarde-o como um passaporte e faça cópias.

Os primeiros passos práticos

A partir desse momento a pessoa passa a estar obrigada em tudo aquilo em que um judeu está obrigado. Na prática, muita coisa que antes era desejável passa a ser dever.

Se a pessoa vive com um parceiro judeu, o casamento se realiza de novo segundo a lei judaica depois da conversão. Esse ponto se conversa com o rabino antes, e não depois.

O que as pessoas sentem nesse dia

As reações variam muito. Há quem chore, há quem sinta alívio, e há quem sinta uma estranha normalidade e só perceba a dimensão do que houve alguns dias depois.

O importante é não comparar a própria sensação com o relato dos outros. Juridicamente o estatuto muda independentemente da emoção sentida dentro da água.

Muita gente conta que o mais forte não foi a imersão em si, e sim o primeiro Shabat depois dela.

Receios comuns

Medo de água. Isso precisa ser dito antes. A profundidade é pequena, há alguém ao lado e a imersão dura segundos.

Vergonha. A arquitetura do mikveh foi pensada exatamente em torno do recato. Dentro da água a pessoa está sozinha.

Medo de errar. Todos os passos são indicados na hora. Se a imersão sair incompleta, simplesmente se repete.

Erros frequentes

Chegar sem preparo: com esmalte, unhas alongadas ou lentes de contato. Isso gera atraso ou remarcação.

Não perguntar antes sobre particularidades médicas. Quase toda situação tem solução quando é discutida antes do dia.

Marcar a tevilá num dia muito cheio. Vale deixar tempo livre em volta dela.

Quanto custa e quanto tempo leva

O uso do mikveh em si costuma custar um valor simbólico e às vezes é coberto pela comunidade. À parte ficam as despesas administrativas do tribunal e os honorários do mohel, quando necessários. O orçamento completo está detalhado em quanto custa a conversão.

Em tempo, o dia todo costuma levar de duas a quatro horas, contando a sessão. A imersão em si dura menos de um minuto.

Conclusão

O mikveh é o encerramento do processo, não uma prova. Ao chegar nesse dia a pessoa já vive uma vida judaica, e a água apenas formaliza o que aconteceu antes.

O mais útil a fazer com antecedência é passar pelo preparo com calma e levar ao rabino todas as perguntas constrangedoras, sem deixá-las para a manhã do dia.

Perguntas frequentes

Os juízes veem a mulher no momento da imersão?

Não. Os juízes ficam fora do recinto e a confirmação é dada pela mulher que acompanha.

Quantas vezes é preciso imergir?

Em geral três. O número exato segue o costume do Beit Din.

Dá para imergir no mar ou num lago?

Às vezes um corpo de água natural serve, mas quem decide é o rabino. Na grande maioria dos casos se usa um mikveh construído.

E aparelho ortodôntico ou implante?

Isso se resolve antes. Estruturas médicas permanentes em geral não são consideradas barreira, mas a confirmação precisa vir antes do dia.

É preciso decorar as bênçãos?

Não. O texto é entregue ou dito em voz alta para você repetir.

O certificado sai na hora?

Em geral no mesmo dia ou nos dias seguintes, conforme o funcionamento do tribunal.

E se a imersão for considerada incompleta?

Ela simplesmente se repete ali mesmo. É uma situação de rotina, não um fracasso.

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