top of page

Posso converter-me se sou casado com judeu?

Rabbi Avraham Bloch
23 de ago.
6 min de leitura

Atualizado: há 13 horas

Estar numa relação com uma pessoa judia é um dos motivos mais comuns para alguém pensar em conversão pela primeira vez. Em torno dessa situação se acumularam muitos medos: que o tribunal recuse, que a motivação seja considerada insuficiente, que o casal tenha de se separar durante o processo. Se o casamento é o que motiva o processo, a página sobre conversão ortodoxa para casamento explica como acompanhamos estes casos.

A realidade é mais tranquila, mas exige honestidade. Ter um cônjuge judeu não fecha o caminho da conversão ortodoxa. Mas muda aquilo que o tribunal observa e acrescenta algumas questões práticas que é melhor resolver logo no início.

Abaixo está o que o Beit Din verifica nessa situação, o que fazer se vocês já são casados, qual é o papel do cônjuge, o que acontece com os filhos e onde costumam surgir atritos dentro do casal.

Ter cônjuge judeu atrapalha a conversão?

Não. Os tribunais ortodoxos recebem com regularidade pessoas que chegaram ao judaísmo através de uma relação ou de uma história familiar. É um caminho legítimo e muito comum.

A exigência se formula de outro modo: a motivação precisa ultrapassar a causa inicial. Os juízes querem ver alguém que seguiria esse caminho mesmo que as circunstâncias mudassem.

Em outras palavras, a relação pode ser a porta, mas atrás da porta precisa existir algo seu.

O que o tribunal verifica nessa situação

Motivação para além do casamento

As perguntas costumam ser assim: o que o segura nisso além da família, o que você faz sozinho e não junto com seu cônjuge, aonde você vai quando ele não está, o que você lê, com quem convive na comunidade.

A boa resposta não é uma declaração, e sim um fato: estudo próprio, relações próprias, prática própria.

Disposição do cônjuge

O tribunal olha também para o lado judeu. Se o cônjuge não está disposto a ter um lar judaico, o processo fica instável, e os juízes percebem isso.

Isso não significa que ele precise ser muito religioso. Significa que precisa estar disposto a uma cozinha casher, ao Shabat em casa e à vida em comunidade.

A prática real dentro de casa

As perguntas serão domésticas: como é o seu Shabat, o que há na cozinha, onde vocês comem, quem acende as velas, em que sinagoga conhecem vocês.

Num casal isso se verifica com mais facilidade do que num candidato sozinho, porque a casa aparece por inteiro.

Se vocês já são casados

Viver juntos durante o processo

Essa é a parte mais sensível. Enquanto a conversão não termina, a vida em comum entre pessoa judia e pessoa não judia cria um problema haláchico, e os tribunais tratam disso com seriedade.

Na prática, a abordagem varia entre tribunais. Alguns pedem que o casal viva separado durante o preparo, outros se limitam a outras condições. Não existe resposta universal, e é exatamente por isso que a questão se conversa com o rabino no primeiro encontro, e não na sessão.

A conclusão prática é simples: quanto mais curto e organizado o processo, menos esse ponto pesa sobre a família. Um caminho arrastado por anos é justamente para os casais que sai mais caro.

Casar de novo depois da conversão

Concluída a conversão, o casamento se celebra novamente segundo a lei judaica: chupá e ketubá. O casamento anterior não é considerado um erro, apenas não era um casamento judaico.

Para muitos casais esse momento acaba sendo uma surpresa agradável: um casamento que antes não houve.

Se vocês ainda não são casados

Nesse caso a ordem é mais simples. Em geral se recomenda concluir a conversão e só então celebrar o casamento segundo a lei judaica.

Alguns tribunais pedem que o casal não viva junto até o fim do processo. Converse sobre isso antes e planeje os prazos de acordo com a resposta.

Na prática isso significa que quanto antes o processo começa, mais fácil fica para o casal planejar aluguel, mudança e data de casamento.

O papel do cônjuge judeu

O que vai ser pedido a ele

Participação, não observação. Na prática isso significa Shabatot em conjunto, presença na comunidade, disposição para reorganizar a cozinha e, às vezes, estudo próprio, caso ele tenha crescido sem educação religiosa.

Os juízes costumam fazer perguntas a ele também. É parte normal do processo.

Quando o cônjuge não observa

Situação muito comum. Um judeu de nascimento pode não conhecer as leis de cashrut e não observar o Shabat.

Nesse caso o casal terá de avançar junto, e às vezes o lado judeu estuda lado a lado com o candidato. Os tribunais encaram isso com naturalidade quando veem movimento e um lar comum.

O problema não surge quando o cônjuge não observa, e sim quando ele é contra a própria direção.

Quando o cônjuge não é judeu pela halachá

Acontece de o parceiro se considerar judeu, mas a ascendência vir pelo lado paterno. Pela halachá ele não é judeu, e então a conversão é necessária para os dois.

Isso aparece na verificação dos documentos, e é melhor descobrir no início do que depois de um ano de preparo.

Filhos

Filhos nascidos antes da conversão da mãe

Se a mãe não era judia quando a criança nasceu, a criança não é judia de nascimento. Para filhos menores, a conversão costuma ser feita junto com a do pai ou da mãe, com a concordância do tribunal.

Para filhos que já têm idade de decidir por si, o processo corre à parte e por vontade própria deles.

Filhos nascidos depois da conversão

Filhos nascidos após a conclusão da conversão da mãe são judeus de nascimento. É por isso que muitos casais procuram concluir o processo antes de planejar filhos.

A relação com a família do cônjuge

A reação da família judia varia: do apoio total ao ceticismo. O ceticismo costuma ter menos a ver com você do que com a experiência daquela família e com o receio de que tudo esteja sendo feito só pelo registro.

O que ajuda: tempo, prática e presença nas festas em conjunto. O que não ajuda: discutir estatuto e tentar provar sinceridade com palavras.

Vale também preparar a conversa com a sua própria família, sobretudo se ela for religiosa. Uma explicação calma e antecipada quase sempre funciona melhor do que um comunicado depois do fato.

Atritos frequentes dentro do casal

Ritmos diferentes. Um quer avançar rápido, o outro acha que mudanças simbólicas bastam. Isso se conversa com o rabino em conjunto, não separadamente.

Sensação de estar em avaliação. O candidato sente que está sendo examinado, e o cônjuge sente as mudanças como impostas. Ajuda dividir as áreas: cozinha, Shabat, sinagoga, estudo, e acertar cada uma separadamente.

Parentes dos dois lados. Um truque prático é combinar antes quem explica o quê à própria família.

Prazos. A indefinição desgasta um casal mais do que as próprias exigências. Um cronograma claro tira metade da tensão.

Quanto tempo leva

Muita gente ouviu o número de 12 a 18 meses. Com acompanhamento bem organizado, para um candidato adequado é realista um prazo de 3 a 4 meses. Como esse prazo se compõe está detalhado em quanto tempo leva a conversão.

Para um casal isso é especialmente relevante: um processo curto reduz o tempo em que valem as restrições sobre a vida em comum e permite planejar casamento e mudança.

Erros frequentes

Construir toda a narrativa de motivação em torno do cônjuge. O tribunal vai perguntar o que existe de seu, e precisa haver resposta.

Deixar o cônjuge fora do processo. A casa é avaliada por inteiro.

Não confirmar o estatuto do tribunal. Para um casal que planeja viver em Israel isso é decisivo: uma conversão não reconhecida não permite registrar o casamento.

Adiar as perguntas incômodas. Viver junto, casamento anterior, estatuto dos filhos: tudo isso se conversa no início.

Conclusão

Um cônjuge judeu não é obstáculo para a conversão. Ele muda o foco da verificação: o tribunal olha não só para o candidato, mas para a casa.

O passo prático mais útil para um casal é ir ao encontro com o rabino a dois e fazer três perguntas: com qual tribunal vocês trabalham, quais são as condições quanto à vida em comum, e o que será pedido ao lado judeu. Depois disso planejar fica muito mais fácil.

Perguntas frequentes

Vão me recusar se eu me converter pela família?

Não pela relação em si. Mas a motivação precisa ir além do casamento, e o tribunal verifica isso.

É preciso viver separado durante o processo?

As abordagens dos tribunais variam. Essa questão se esclarece no primeiro encontro com o rabino.

É preciso casar de novo depois da conversão?

Sim, o casamento se celebra segundo a lei judaica, com chupá e ketubá.

O cônjuge precisa observar?

Ele precisa estar disposto a um lar judaico. Muitos cônjuges estudam junto com o candidato, e isso é normal.

E os nossos filhos?

Os menores em geral se convertem junto com o pai ou a mãe. Filhos nascidos depois da conversão da mãe são judeus de nascimento.

Meu parceiro é judeu por parte de pai. Isso conta?

Pela halachá não. Nessa situação a conversão é necessária para os dois, e isso aparece na verificação dos documentos. Se o seu próprio pai é judeu, leia o nosso guia para quem tem pai judeu.

Quanto tempo leva o processo para um casal?

Com acompanhamento organizado, de 3 a 4 meses são realistas, mais o tempo dos documentos.

Casado com um judeu e a pensar na conversão? Veja como funciona o processo, consulte os honorarios ou entre em contacto para uma avaliação gratuita.

 
 
bottom of page