Posso converter-me se sou casado com judeu?
Atualizado: há 13 horas
Estar numa relação com uma pessoa judia é um dos motivos mais comuns para alguém pensar em conversão pela primeira vez. Em torno dessa situação se acumularam muitos medos: que o tribunal recuse, que a motivação seja considerada insuficiente, que o casal tenha de se separar durante o processo. Se o casamento é o que motiva o processo, a página sobre conversão ortodoxa para casamento explica como acompanhamos estes casos.
A realidade é mais tranquila, mas exige honestidade. Ter um cônjuge judeu não fecha o caminho da conversão ortodoxa. Mas muda aquilo que o tribunal observa e acrescenta algumas questões práticas que é melhor resolver logo no início.
Abaixo está o que o Beit Din verifica nessa situação, o que fazer se vocês já são casados, qual é o papel do cônjuge, o que acontece com os filhos e onde costumam surgir atritos dentro do casal.
Ter cônjuge judeu atrapalha a conversão?
Não. Os tribunais ortodoxos recebem com regularidade pessoas que chegaram ao judaísmo através de uma relação ou de uma história familiar. É um caminho legítimo e muito comum.
A exigência se formula de outro modo: a motivação precisa ultrapassar a causa inicial. Os juízes querem ver alguém que seguiria esse caminho mesmo que as circunstâncias mudassem.
Em outras palavras, a relação pode ser a porta, mas atrás da porta precisa existir algo seu.
O que o tribunal verifica nessa situação
Motivação para além do casamento
As perguntas costumam ser assim: o que o segura nisso além da família, o que você faz sozinho e não junto com seu cônjuge, aonde você vai quando ele não está, o que você lê, com quem convive na comunidade.
A boa resposta não é uma declaração, e sim um fato: estudo próprio, relações próprias, prática própria.
Disposição do cônjuge
O tribunal olha também para o lado judeu. Se o cônjuge não está disposto a ter um lar judaico, o processo fica instável, e os juízes percebem isso.
Isso não significa que ele precise ser muito religioso. Significa que precisa estar disposto a uma cozinha casher, ao Shabat em casa e à vida em comunidade.
A prática real dentro de casa
As perguntas serão domésticas: como é o seu Shabat, o que há na cozinha, onde vocês comem, quem acende as velas, em que sinagoga conhecem vocês.
Num casal isso se verifica com mais facilidade do que num candidato sozinho, porque a casa aparece por inteiro.
Se vocês já são casados
Viver juntos durante o processo
Essa é a parte mais sensível. Enquanto a conversão não termina, a vida em comum entre pessoa judia e pessoa não judia cria um problema haláchico, e os tribunais tratam disso com seriedade.
Na prática, a abordagem varia entre tribunais. Alguns pedem que o casal viva separado durante o preparo, outros se limitam a outras condições. Não existe resposta universal, e é exatamente por isso que a questão se conversa com o rabino no primeiro encontro, e não na sessão.
A conclusão prática é simples: quanto mais curto e organizado o processo, menos esse ponto pesa sobre a família. Um caminho arrastado por anos é justamente para os casais que sai mais caro.
Casar de novo depois da conversão
Concluída a conversão, o casamento se celebra novamente segundo a lei judaica: chupá e ketubá. O casamento anterior não é considerado um erro, apenas não era um casamento judaico.
Para muitos casais esse momento acaba sendo uma surpresa agradável: um casamento que antes não houve.
Se vocês ainda não são casados
Nesse caso a ordem é mais simples. Em geral se recomenda concluir a conversão e só então celebrar o casamento segundo a lei judaica.
Alguns tribunais pedem que o casal não viva junto até o fim do processo. Converse sobre isso antes e planeje os prazos de acordo com a resposta.
Na prática isso significa que quanto antes o processo começa, mais fácil fica para o casal planejar aluguel, mudança e data de casamento.
O papel do cônjuge judeu
O que vai ser pedido a ele
Participação, não observação. Na prática isso significa Shabatot em conjunto, presença na comunidade, disposição para reorganizar a cozinha e, às vezes, estudo próprio, caso ele tenha crescido sem educação religiosa.
Os juízes costumam fazer perguntas a ele também. É parte normal do processo.
Quando o cônjuge não observa
Situação muito comum. Um judeu de nascimento pode não conhecer as leis de cashrut e não observar o Shabat.
Nesse caso o casal terá de avançar junto, e às vezes o lado judeu estuda lado a lado com o candidato. Os tribunais encaram isso com naturalidade quando veem movimento e um lar comum.
O problema não surge quando o cônjuge não observa, e sim quando ele é contra a própria direção.
Quando o cônjuge não é judeu pela halachá
Acontece de o parceiro se considerar judeu, mas a ascendência vir pelo lado paterno. Pela halachá ele não é judeu, e então a conversão é necessária para os dois.
Isso aparece na verificação dos documentos, e é melhor descobrir no início do que depois de um ano de preparo.
Filhos
Filhos nascidos antes da conversão da mãe
Se a mãe não era judia quando a criança nasceu, a criança não é judia de nascimento. Para filhos menores, a conversão costuma ser feita junto com a do pai ou da mãe, com a concordância do tribunal.
Para filhos que já têm idade de decidir por si, o processo corre à parte e por vontade própria deles.
Filhos nascidos depois da conversão
Filhos nascidos após a conclusão da conversão da mãe são judeus de nascimento. É por isso que muitos casais procuram concluir o processo antes de planejar filhos.
A relação com a família do cônjuge
A reação da família judia varia: do apoio total ao ceticismo. O ceticismo costuma ter menos a ver com você do que com a experiência daquela família e com o receio de que tudo esteja sendo feito só pelo registro.
O que ajuda: tempo, prática e presença nas festas em conjunto. O que não ajuda: discutir estatuto e tentar provar sinceridade com palavras.
Vale também preparar a conversa com a sua própria família, sobretudo se ela for religiosa. Uma explicação calma e antecipada quase sempre funciona melhor do que um comunicado depois do fato.
Atritos frequentes dentro do casal
Ritmos diferentes. Um quer avançar rápido, o outro acha que mudanças simbólicas bastam. Isso se conversa com o rabino em conjunto, não separadamente.
Sensação de estar em avaliação. O candidato sente que está sendo examinado, e o cônjuge sente as mudanças como impostas. Ajuda dividir as áreas: cozinha, Shabat, sinagoga, estudo, e acertar cada uma separadamente.
Parentes dos dois lados. Um truque prático é combinar antes quem explica o quê à própria família.
Prazos. A indefinição desgasta um casal mais do que as próprias exigências. Um cronograma claro tira metade da tensão.
Quanto tempo leva
Muita gente ouviu o número de 12 a 18 meses. Com acompanhamento bem organizado, para um candidato adequado é realista um prazo de 3 a 4 meses. Como esse prazo se compõe está detalhado em quanto tempo leva a conversão.
Para um casal isso é especialmente relevante: um processo curto reduz o tempo em que valem as restrições sobre a vida em comum e permite planejar casamento e mudança.
Erros frequentes
Construir toda a narrativa de motivação em torno do cônjuge. O tribunal vai perguntar o que existe de seu, e precisa haver resposta.
Deixar o cônjuge fora do processo. A casa é avaliada por inteiro.
Não confirmar o estatuto do tribunal. Para um casal que planeja viver em Israel isso é decisivo: uma conversão não reconhecida não permite registrar o casamento.
Adiar as perguntas incômodas. Viver junto, casamento anterior, estatuto dos filhos: tudo isso se conversa no início.
Conclusão
Um cônjuge judeu não é obstáculo para a conversão. Ele muda o foco da verificação: o tribunal olha não só para o candidato, mas para a casa.
O passo prático mais útil para um casal é ir ao encontro com o rabino a dois e fazer três perguntas: com qual tribunal vocês trabalham, quais são as condições quanto à vida em comum, e o que será pedido ao lado judeu. Depois disso planejar fica muito mais fácil.
Perguntas frequentes
Vão me recusar se eu me converter pela família?
Não pela relação em si. Mas a motivação precisa ir além do casamento, e o tribunal verifica isso.
É preciso viver separado durante o processo?
As abordagens dos tribunais variam. Essa questão se esclarece no primeiro encontro com o rabino.
É preciso casar de novo depois da conversão?
Sim, o casamento se celebra segundo a lei judaica, com chupá e ketubá.
O cônjuge precisa observar?
Ele precisa estar disposto a um lar judaico. Muitos cônjuges estudam junto com o candidato, e isso é normal.
E os nossos filhos?
Os menores em geral se convertem junto com o pai ou a mãe. Filhos nascidos depois da conversão da mãe são judeus de nascimento.
Meu parceiro é judeu por parte de pai. Isso conta?
Pela halachá não. Nessa situação a conversão é necessária para os dois, e isso aparece na verificação dos documentos. Se o seu próprio pai é judeu, leia o nosso guia para quem tem pai judeu.
Quanto tempo leva o processo para um casal?
Com acompanhamento organizado, de 3 a 4 meses são realistas, mais o tempo dos documentos.
Casado com um judeu e a pensar na conversão? Veja como funciona o processo, consulte os honorarios ou entre em contacto para uma avaliação gratuita.
Leia também: casar em Israel, conversão de crianças, requisitos da conversão, por onde começar.


